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Blog do historiador, escritor e professor gaúcho Hermes Vigne, autor de livros como "Trindade do Sul da Serra do Lobo", "Na Vida Tudo é Poesia" e "Belas Histórias Que Papai Contava".

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Hermes Vigne

    Nascido em 9 de janeiro de 1940 em Liberato Salzano - RS, o historiador, escritor e professor Hermes Vigne é autor de vários livros, entre eles "Na Vida Tudo é Poesia", "Belas Histórias Que Papai Contava" e "Trindade do Sul da Serra do Lobo", este último dedicado a contar a história de Trindade do Sul - RS, que o historiador acompanhou desde sua fundação.

    Hermes Vigne reside e trabalha, atualmente, como professor no município de Trindade do Sul.


O VELHO, O MENINO E A MULA

« Mais recente🔀🛈Categoria:História e tradição
ImprimirReportar erroTags:não, filho, velho, disse, mula, menino, rua e feito652 palavras9 min. para ler
Dando carona a dois sul-trindadenses, fez-me lembrar da estória de Monteiro Lobato, com o título da presente  NARATIVA . Acredito que, no mínimo, 70 por cento dos estimados leitores tenham lido e/ou já conhecem essa Estória bonita e condizente. Mas, para ilustrar melhor, permito-me citar resumidamente, o texto, começando assim:
O pai chamou o filho e disse: " Vá buscar a mula que está no pasto e apronte-se para irmos à cidade para vendê-la”. O menino trouxe a mula, escovou-a e partiram os dois, a pé, puxando a mula. Queriam que chegasse descansada para melhor impressionar os compradores. De repente, um viajante, ao vê-los exclamou: " Esta é boa! O animal vazio e o pobre velho a pé, será promessa ou penitência? O velho achou que o viajante tinha razão. Ordenou ao menino: " Puxa a mula, meu filho, eu vou montado e assim tapo a boca do mundo”. Tapar aboca do mundo! O velho viu isso logo adiante; duas lavandeiras batendo roupas no córrego, que ao ver isso exclamaram : "Olha o marmanjão montado e o pobre menino a pé! Há cada pai malvado  . . . Credo! O velho danou e disse: "Filho, suba na garupa e vamos os dois montados. Quero só ver o que dizem agora”! Viu logo. O Zé, estafeta do correio, cruzou com eles e disse: "Que idiotas, querem vender a besta e montam os dois . . . Cruis!”! O velho disse ao filho: "Ele tem razão, meu filho, eu apeio e você que levinho vai montado”. Logo lá adiante, um sujeito tirou o chapéu e disse: "Bom dia príncipe”! O menino disse: "Por que príncipe”? E o sujeito retrucou: "Porque só príncipe anda assim de lacaio à rédea . . . O pobre velho esbravejou: "Lacaio eu!? Desce, desce, meu filho, carreguemos a mula às costa, talvez assim, contentemos o mundo . . . Mas, nem assim, um grupo de rapazes, vendo a estranha cavalgada, apuparam: HU! HU! Olha o trempe de três burros, dois de dois pés e um de quatro. Só resta saber qual dos três é o mais burro!
- Sou eu, meu filho! Exclamou o velho, porque há mais de duas horas venho fazendo o que não quero, mas fazendo o que quer o mundo. Viu o que acontece? Daqui em diante farei o que me manda a consciência. Já vi que quem procura contentar a toda gente morre doooiiidooo!
Um bom ensinamento a mensagem da Estória, não é? Motivou-me a emendar alguns VERBOS, do cotidiano da vida, aos verbos da Estória do Lobato, enxertados aos das caronas. Assim vejamos; Ao deixar o caroneiro a domicílio, na rua que sai da Avenida Primavera levando ao Posto de Saúde, em dia de chuva, ao descer o caroneiro queixou-se que em sua rua só foi feito o asfalto de um lado e não estão mais trabalhando. Que aqui em Trindade é sempre assim, começam e não terminam. Aí lembrei que da última vez que passei naquela rua era um calçamento indesejado, muito irregular e mesmo assim, não ouvi queixas. No dia seguinte, passando pela Rua Alecrim, próximo à Prefeitura, a carona reclamou das coisa mal feitas e demoradas, ali, na FINADA Lagoa. Faz bom tempo, é justo reconhecer isso. Mas, depois da morte da saudosa LAGOA, não demorou muito a começar exalar mau cheiro (coisas dos defuntos) por muito tempo. Mas, mesmo assim, nem bandeirinhas vermelhas foram colocadas para alertar sobre o perigo à saúde.  Entre tanto, sei muito bem que " Não se faz omelete ( fortaia) sem quebrar ovos”. Aí lembrei de uma frase do saudoso Gentil Barbiero, quando o Gervásio Magri venceu as eleições em Nonoai, num grupo de amigos, concluiu o diálogo com a frase: "Em política nada melhor que ser oposição. Aí se comenta de tudo o que falta e deve ser feito. O  que está feito não é nada mais que a obrigação”!  já foi feito”.
Pois é, sempre tem o conformismo.