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Blog do historiador, escritor e professor gaúcho Hermes Vigne, autor de livros como "Trindade do Sul da Serra do Lobo", "Na Vida Tudo é Poesia" e "Belas Histórias Que Papai Contava".

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Hermes Vigne

    Nascido em 9 de janeiro de 1940 em Liberato Salzano - RS, o historiador, escritor e professor Hermes Vigne é autor de vários livros, entre eles "Na Vida Tudo é Poesia", "Belas Histórias Que Papai Contava" e "Trindade do Sul da Serra do Lobo", este último dedicado a contar a história de Trindade do Sul - RS, que o historiador acompanhou desde sua fundação.

    Hermes Vigne reside e trabalha, atualmente, como professor no município de Trindade do Sul.


BANCARROTA

« Mais recente🔀🛈Categoria:História e tradição
ImprimirReportar erroTags:bancarrota, banca, brasil, bens, vem, moeda, numa e formiga616 palavras9 min. para ler
O título do texto vem do Italiano "Banca rotta”, que significa, em Português, ‘banco ou mesa, quebrada, destruída’, na Idade Média, época em que tiveram início as FEIRAS na Itália. Pessoas de negócios ocupavam um lugar na feira; um banco, ou uma mesa, ou ainda, um banco para sentar e uma mesa, de madeira, para expor suas mercadorias para vender ou trocar. Com o passar do tempo, e os bons negócios, as bancas passaram a funcionar como comércios, nas praças públicas, todos os dias da semana. No início as mercadorias eram as de grandes valores: ouro, prata, moedas e metais preciosos. Aos poucos, muitos banqueiros adquiriram a confiança da clientela. Adiantavam dinheiro como empréstimos, cobrando juros, e até recebiam bens em depósitos de quem tivesse receio de transportar mercadorias valiosas, dando-lhe um ‘recibo’ da quantia depositada. Por motivos diversos, muitos receptores de bens não conseguiam devolver o valor depositado. Assim, os depositários que não conseguiam receber os seus bens, ou dinheiro depositados na banca e, muitas vezes, nem os banqueiros, estavam mais na banca, enfurecidos quebravam as bancas. Assim surgiu a expressão BANCA ROTTA.

        Atualmente, bancarrota, significa: falência, quebra ou ruina de empresas, bancos, Estados ou países. Em casos de Estados, ou Países, quando os governos ficam impossibilitados de cumprir seus compromissos financeiros legítimos e vencidos, pode chegar ao estado de Bancarrota. Numa breve pesquisa constatou-se que Portugal foi a falência sete vezes, sendo que numa delas, um café custava o equivalente a 70 Euros, dado a desvalorização da moeda portuguesa e a falta de confiança no Governo. A Argentina, em 2001, faliu literalmente. Muitos abandonaram as casas e os mais abonados depositaram seus bens no Uruguai, paraiso fiscal da América Latina. A Alemanha, Espanha, França e outros países nobres, por muitas vezes chegaram à falência. Na Itália, antes da Unificação do Pais, houve uma bancarrota total, em que o FLORIN, moeda da época, perdeu totalmente o valor. Como dizia meu nono Arcângelo: " Non cera soldi gnanca per comprerare na scatole de forminanti” (não havia dinheiro nem para comprar uma caixa de fósforos), pois a moeda era um simples metal, ou cédula qualquer, sem valor nenhum

        Na década de 1980, no fim da ditadura e no Governo Sarney, na chamada "Década Perdida”, juntando-se ao Governo Collor, 1990-1992, o Brasil também bateu às portas da Bancarrota. Os juros chegaram ao patamar de 235% ao ano. Muitas pessoas que pensavam sobrar uns trocados faziam depósitos em poupanças, sendo que cada vez que consultavam o saldo achavam-se mais ricos. A ilusão durou pouco. O que se viu foi gente falindo, perdendo, não só os Cruzadinhos, mas muito capital vendido, e a desvalorização da moeda brasileira levou-os à "bancarrota”. E no Brasil, hoje, a semana que vem, o mês que vem, o ano que vem, escaparemos da tal BANCARROTA? Ou será bom cair numa banca dessas? Quebrar a Banca brasileira! Extinguir os Reais. Ninguém mais deve nada a ninguém. Acabar com as dívidas, tanto públicas ( federais, estaduais e municipais) como as dívidas privadas, das pessoas físicas. Mas que alívio! Começar tudo do NADA! Lembro de dois versos de uma estrofe recitada num 7 de setembro que dizia assim: " Ou  o Brasil acaba com a formiga, ou a formiga acaba com o Brasil”. Pessoalmente, assumo parodiar os dois versos da formiga: "Ou os brasileiros acabam com a Bancarrota ( já instalada politicamente e financeira no Pais) ou a Bancarrota acaba com os brasileiros”. É triste, mas é sério! Nossos REAIS foram transformados em Dólares e Euros depositados fora do Brasil. Por quê? Porque, certamente os esquadrões políticos, pelos próprios atos, sabiam que num futuro próximo o Brasil estaria falido, com a possibilidade de não poder escapar da iminente banca rotta.